sábado, 14 de novembro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
em torno do quase - by alskander
Quero me cultivar a partir do risco de existir-me frágil. Tenho medo de mais tarde perceber que perdi a melhor parte do ato de viver. Perco? Tenho medo pq, agora que sei, não sei se no ato de arriscar-me serei capaz de agir meu segredo. Quando vc atravessou a porta, a dor que senti foi a pior que continuo sentindo. Não acredito que naquele dia teria sido capaz de mostrar o que então era-me uma incompreensão absurda. Saber faz-me capaz de tolerar ver-me no horror dos teus olhos? Até mesmo no teu afago. Eu nunca mais o vi. Nem me pareceu tão importante. É assim que acontece, afinal. É? E os amigos ah! os amigos; era-me tão inevitavelmente necessário cultivar uma matilha tendo a absoluta convicção de que sentir o outro só era possível, enquanto Aurélio - Aurélio?, acontecer sem qualquer espécie de questionamentos. Filosofar era-lhe essa espécie de inutilidade comprovada. Não havia toque. Afugentava-se qualquer pessoa com a mania auto-destrutiva de conseguir sentir uma certa espécie de pele empenando-se com o peso quente da Terra, sendo então ainda possível sentir o abraço provocando a lua ali. Ainda que bem apagada. Alguém passa contaminando-se com a alegria derramando-se por todo corpo de Aeglos. Por muito tempo acreditei que Helena era-me a solução. Ruímos. Até que foi-nos necessário possuir Armando. Vivemos bem por muitos dias. Por tanto tempo desviei-me da fotografia. Antes mesmo dele sair pela porta eu já sentia-me com a fotografia. Não tenho mais medo. Não esse!? Mas é que agora há essa verdade: é uma delícia combinar-me com as possibilidades que com o dia aconteço. Sentir agora é algo mais. Quer a experiência de acontecer cada vez com a possibilidade de algo mais acontecendo.
Que bobagem. Ele não conseguia conciliar a rotina diária com as demandas da razão artística. Se naquela época ele tivesse exigido um equilíbrio... Ora, ora, distanciar-se da reflexão era o equilíbrio que ele (com o ambiente pelo qual estendia-se) tolerava. O excesso de então teria sido diferente do excesso de agora? Há sempre essa ação construtiva e outra destrutiva quando processa-se uma escolha. Seja como for há sempre um resíduo. Pedindo passagem. Constituindo alicerces mais resistentes. Sim, ao fotografar queria mesmo era colocar em xeque essa vontade de querer manter as coisas como estavam. Estão. Está. Clic. Ainda continua sentindo. O germe da destruição pode ir se acumulando quando persiste-se na idéia de que o círculo é redondo. Sabê-lo espiral é apreender o toque sentido de quantas formas for inevitavelmente necessário. Será então que a vida alimentar-se-á menos da morte? Ou com a rapidez e devida decisão necessária à nossa permanência. Não vou nem evidenciar agora, assim, as artimanhas utilizadas quando cultiva-se a veracidade de círculos redondos. Aeglos deseja a câmera fotográfica como quem só quer mesmo dessa vida é uma possibilidade mais espiral de ser feliz. É por isso que não há.
Não há verdade. Será que agora começa? Continua. Barriga levemente estufada. Noite quase já caída. Com essa dor brusca. Mundo acontecendo tão absurdamente vivo bem diante olhos incapazes de reter. Quer o clic. Reconhece que não consigue abraçar o instante. Só pra que possa aprender a senti-lo assim. Assim. Aeglos gesticulando. Olhos parados de susto com suas mãos espetadas logo acima da testa. Olha em riscos rápidos para os lados. Recorda os abraços de despedida em sua avó. Era só soltá-la pra querer abraçá-la novamente. Olhos incapazes de reter. A câmera está com seu filho. Armando caminha com uma vontade quase atrapalhando. Atrapalhando? Em torno do quase um sopro avança. Até ele quase saber. Aeglos dá uma baforada no cigarro. Levada pelo vento a cinza gruda na tua calça, logo abaixo do joelho. Caminha com vontade. Um amigo de longe ensaia alegria em encontrá-lo. Não é alguém que irá cultivar-lhe essa sensação de agora. É aquele tipo de amigo em que se acredita necessário quando não se sabe bem o que fazer com o instante. Acaba-se acostumando. Assim as pessoas vão se acumulando, apertando laços, cutucando a vontade de comprar uma passagem e encontrar uma cidade onde ninguém estranho diz que sente tanta saudade de vc. Só que já é hora de dizer. Nesse bar que já estamos quase juntos, quero mesmo é sentar-me sozinho. Junto. Respirando-me com as palavras que nascem. Decifram. Deliram-se de toque com um certo escritor - numa fotocópia de algum modo largada na mesa - que Aeglos jamais ouvira falar. Mas que depois de trinta anos (descobriu mais tarde, pelo Google) publicou seus contos. Esse conto solto na mesa. Rabo-de-burro. E que exuberância de espera até que a imagem quase-apagada-? torne-se inicialmente palpável por palavras. Tão enigmáticas. Semente e solo ferteis. Quando é preciso dizer. Vou me sentar ali. Eu ali. Aeglos apontando para as folhas de papel com ganchos capazes de matar. Olhos fixos. Onde o rabo-de-burro me encontra. Aeglos o encontra. Onde mesmo sem ter estado lá, na cidade onde luzes apagam-se de vez, ele quase soubesse o que aconteceu. O que aconteceu soubesse que ele existe. Também ambos ao mesmo tempo. Quase. Onde chove como agora enquanto pede uma cerveja. Arrepiado de curiosidade. Digitais apertando palavras.
Câmera fotográfica encaixada. Empenada por sua mão com a onipotência devida a todo e qualquer nascendo e crescendo, desenvolvendo sobrevivência à partir de memórias e ambientes propícios ao que acontece. Clic. Armando está quase como que invisível. Ainda que ali, dali, de algum modo o entorno permite-se a ele como se não houvesse vergonha, receio em combinar-se com ele. Clic. Não. Eu não estou recusando Paulo em nome da liberdade de fotografar. Não é isso. É que sem os azuis. Os azuis mágicos, e até de outras cores, eu não inflo de vermelho a possibilidade de satisfazer seu desejo. Sei que Paulo persegue-me pq de algum modo eu o hipnotizo. Tal e qual como ele hipnotiza-se com sua vontade de me matar com sua faca afiada. Clic. Nossa; e ssa foto é tão absurdamente precisa que eu quase duvido de sua capacidade estonteante. Não estou renunciando a felicidade. Estou tendo que descobrí-la. Enquanto minha resistência corpórea não tolera superar-me à tempo de, então, enquanto isso, fotografo. Clic. Clic. No máximo duas imagens. Tenho que participar. Já que desencontro-me. Desencontro-me dessa possibilidade que meu tempo e espaço de agora me dá em nome do desejo que me torna e faz-se desejo meu. Eu. Aeglos acende um cigarro. Armando esconde-se do Sol. Subordino-me à vontade minha! Clic. De onde vem esse desejo (e pq?) recusando-me ao que inclusive alimenta-me capaz de (tbm) cultivar-me desejoso? Quase destruo o que me constroe. Quase. É isso. Clic. Quase sempre vivo. Por vezes vivo-me tão pungente. Ainda que tão de súbito; a ponto de só depois eu entender de viver. Dá mais um gole na cerveja. Clic - então sei que vivo sim. É possível. Claro que é. Eu me lembro do nosso amor. Paulo e eu tão derramados pelas fendas que alguma imagem desata. Contamina sem possibilidade alguma de recusar-se. O passado toca-me quando vejo agora. Até mesmo quando pressinto que acertei no momento decisivo. Ainda que quase. É que ainda não é uma digital - já que ainda não sei apesar de não tê-la. E já que o passado toca-me quando vejo agora. Então não me canso de sempre lembrar. Pq? Pq duvido e deixo de duvidar? Clic. Duvido e deixo de duvidar. Clic. Deixo de duvidar. Que de outro modo seria capaz de superar a corrosão dos ossos, o desequilíbrio da circulação sanguínea, aqui ou fora da gravidade terrestre, tal como abre-se os olhos quando acordamos.
Helena abre os olhos num grito de ar rasgando-lhe a garganta. Sente cheiros misturados. Sua mãe, sua avó e de outras mulheres. Ouve saltos altos provocando curvas ainda mais íngrimes. O babado do sutiã vermelho da garçonete salta junto com seus seios inchados. Solta a garrafa de cerveja na mesa com petulância espumando pelo bico. Ainda que bem apagada eu sei que a lua está em algum ali. Prinspe está com as mãos em torno de seu pescoço. Com vontade de continuar apertando. Desejo tão impossível de ser contornado. Haroldo arranha sua pele. Babando. Mastigando equimoses doidas. Respiração ofegante engolida por beijos rosnando solução arcaica. Difícil de ser agarrada. E apta ao suor que os dois corpos, com o ambiente, provocam. Com a língua engole lágrimas combinadas a um corpo sufocado de suor. Olhos nos olhos tocando o que parece tão necessariamente impossível. Abraça-lhe com o mesmo carinho de sempre. Alcança-lhe com uma ternura exacerbada. Tão quase inexistente que então torna-lhe inevitavelmente necessário encontrar algo que é bem arte. Faltando-lhe encontrar o instrumento capaz dessa ternura. Esfregam-se carinhos desencontrados. Quase conseguem escapolir da eletricidade nas pontos dos dedos. Querem-se tanto. Sentem juntos o último ar. Olhos encontrados insistindo abertos, desafiando o funcionamento exigindo tremor nas pálpebras. Não há outra forma justificando a execução? Fascinados pela redenção descontrolam-se em gozos estocados para dentro e para fora. Enquanto o ar não consegue mais ser assimilado. Ambos atacaram-se simultaneamente. Continuamente. Incentivando-se ao que pedem-se. Por algum tempo o cadáver parece estar vivo. Cadáver? Toca-lhe com cada pedaço de pele. Helena arrebata-se contra si mesma. Inicialmente respirando uma ofegância quase capaz de parar-lhe os pulmões. Ela continua. Deitada no metal frio. Luzes fortes impedindo-lhe de realmente abrir os olhos. Dores fortes estalando enquanto tenta se levantar. As faces todas espalhadas por Helena erguem-lhe com a força de águas abalando e rompendo empecilhos. Seu espanto não é capaz de permanecer-lhe sem reação necessária a apoiar-se com pés tocando o chão. Frio. Tipo azulejo. Abraça seu corpo nú. Só quer mesmo é chegar em casa, tomar banho quente, vestir roupas limpas.
Não é difícil lembrar que bem há pouco tempo estava viva, remoendo um ódio absurdo, se segurando pra não saltar de mãos armadas contra o pescoço de Armando, sacudindo-lhe até entender que eu não preciso gostar dele. Não enquanto ele me olha tão de perto. Afastá-lo do caminho é a única ação capaz de manter-se viva. De pescoço maleável. Quanto mais palpável era seu grito, mais sem som era este grito. Bem há pouco acabara por morrer. Não sei quanto tempo durou. Sei que me rompi. Cortei-me em quantos pedaços foram necessários para então encontrarem-se juntos e então viver-me viva. Agora. Nua. Morta de frio. Querendo-me quente. Eu quente. Entende? Eu quente. Cheia de mulheres. Que não precisam ter saído uma do ventre da outra. Há um sangue que não corre pelas veias. Somente. Há (essas) mulheres anônimas erguendo-lhe os passos. Pequenos milagres também fazem a deferença. Surpreende-se consigo própria. De súbito engolfa-lhe um amor impossível de ser superado. Por Armando e Aurélio. Então reconhece suas vestes. Vozes se aproximam. Escondida, enquanto se cobre, quase estraga tudo com uma gargalhada. Dois homens de faces entortadas, pasmos segurando bisturis e tesouras enormes. Pra onde foi a mulher morte? Será que alguém roubou? Será que alguém mentiu? Helena está forte e lúcida como jamais foi capaz de conquistar. Agarrando com rapidez necessária fendas levando-lhe cada vez mais para fora do Hospital.
domingo, 11 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
"... aceitação irrestrita de uma condição do amor - aquela em que se quer o outro não apesar de suas monstruosidades, mas com elas." ( Isabela Boscov)
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Em torno do quase - alskander

"Ele define como ativa toda força que chega ao extremo de seu poder. Era um homem de uma perfeita nobreza, que tinha horror a tudo que apequenava." Será que é por isso que Deleuze se matou? Num pulo estilhaçando-se lá embaixo. Não. É muito horrível dizer isso. As mãos apertão o aro, olhando as calçadas lá de cima. Eu também me mataria se estivesse na mesma dor cega que ele. Pularia agora da sacada desse Shopping. Eu me apequeno e também me mato. Apequeno-me. Contamino-me sem restrições. Restrições? Restrição mesma esta impedindo-me de caminhar. Até as calçadas que daqui vejo. Desistindo-me da imagem que por ventura será captada pelo clic da câmera. Que ainda está dentro da mochila. Procuro com horror não apequenar-me. Começo a ter horror ante o horror antes era-me tão inevitável como arrepio de prazer de um certo instinto migratório. Será? Instinto migratório? É que por medo, por certa imaturidade não mato-me pelo mais pequeno do cotidiano? Pequeno? Pequeno. Já que tenho esse mal estar de horror - e ainda assim por vezes quero e vivo. E ainda assim dali chamo(-me). Encontro isca tecendo-nos além do passo reconhecível. Possivelmente reconhecido. Levanta enquanto guarda a revista na dobra viável da mochila. Olha para a calçada lá embaixo. Encaixa a câmera fotográfica no pescoço. Sabe o que quer.
De algum modo chega de dúvidas. Chega de fazer-me acreditar-me. Reconfigurar-me os pedaços embaraçados distantes do rumo encontrando-me. Já é agora que não devo mais duvidar do chamado que estará sempre entre nós. Conosco. Não importando as artimanhas apostando no engano. Testando-me a persistência. Que eu não esqueça. Apesar de. Que eu não esqueça e saiba apesar dos sustos perante meu corpo gaguejando. Olha os degraus enquanto desce. Apesar da pele ter perdido textura, adquirindo-se imagem transparente. Quase apagada pelos resvalos de meu sangue. Simplesmente chega. Chega de olhar e não acreditar. Que o necessário contágio não me impeça de reconhecer meu destino. Meu (real) prazer. Ainda que meu corpo esteja à beira de articulações minúsculas. Resistindo o abraço da atenção exigida. Devo fotografar. É essa a ação tornando-me eu. De pura potência. Outras tantas vidas pedindo passagem pela vida da dimensão em que agora cultivo-me. Sem sequer ver e sentir em toque suado. Quase lábios. Não importa. Nada. Ou quase. Devo mero seguir a seta inundando-me delícia - ainda que demais cansada.
A verdade é que o contágio, o tão inevitavelmente necessário contágio, exige um aperfeiçoamento no ato de extrair os elos construindo a imagem que comigo e com o ambiente pelo qual estendo-me encontra-se. É possível driblar a corrosão corpórea perante o irreconhecível desejando encontros? Enquanto Armando pensa, instantes possivelmente arrepiando-lhe ao clic passam despercebidos. Olha em torno. Pés fincados no cimento. Sem a devida atenção o instante não será captado. Sorri. Questionar sua alegria, agora, de caminhar com o dedo no clic, sem como que nada pensar, impede-lhe. A imagem não o encontra. Armando não a encontra. Só é possível encontrar-se distraidamente atento quando aprende-se a administrar o contágio.
E a vontade de amar? Amor. Tão bem disseminado pelo dia-a-dia. Tudo faz parte desse inevitável contágio. Até que ponto é palpável a imagem chamando-lhe? Mas quer saber? Pode ser que minha atenção comprometida perca-me dos momentos decisivos. Afinal. É encontrar-me com essa imagem menor que interessa-me afinal. Menor? É aí. Aqui. Ali. Que a imagem começa a acontecer. Reconhecendo-se com mais propriedade de permanência. No que apequena-me? Quase. Em torno do quase o risco, a fenda entorna o círculo numa espiral. Por enquanto, por exemplo, entre outros, o espaço entre o dedo de Deus e do homem no afresco de Michelangelo, alimenta-nos. Apesar de. O que importa é que a fenda continue acontecendo. ?.
Lembro-me do dia em que Aurélio esqueceu a câmera tão bem pelo meu caminho. Meu pai. Saíu dali tão estranhamente devagar que uma indecência estendida pelo ambiente selou de vez uma certa tal afinidade que eu ainda não reconhço. Reconheço? É como ser invisível sem quase poder sê-lo. Ele quer. Sangue inevitavelmente necessário. Mas pq entregar-se à captura da imagem torna-se tormento? Físico e espiritual. Pq ainda ssombro-me com o que me arrepia prazer? É que agora bem agora não tenho mais nome. Nem idade. De algum modo o tempo aqui ainda não aprendeu. -se. Aurélio está sentado, remoendo as bifurcações possíveis de seu passado, pedindo mais uma cerveja. Acendendo outro cigarro. Vendo de súbito o instante qualquer que deveria (deveria?) ter sido registrado pela câmera que ele próprio desviou para longe. Ainda que (aparentemente) perto. Amor é o que alguém algum dia conseguirá quase dizer. Jamais. Foi o que pensou sem sequer saber pq. Ainda que sabendo, pelo arrepio, ser ideal. Então.
Dizer que sou um sedutor, com a carne dura, não é errado, mas não é tudo. Sabe. Quase sem saber. Como que sabendo. Ambos. Pai. E filho. Há um horror que nem sequer adivinha. Sequer adivinham. Acompanham. Tecem. Olhos molhados de curiosidade. Aponta a câmera para o céu. Seta de aves. Clic. Coração batendo forte. Numa mesa de bar, pela calçada em que caminha, alguém sozinho lendo algo; o garçon aproxima-se perguntando vc está esperando alguém? Não. Então retira a única cadeira vazia da mesa. Clic. Ainda que seja o instante decisivo, a cena encapsulada contará o que foi ouvido? Se for o momento decisivo, sim. Será que acertou com esse único clic enquanto continua vivendo o caminho pelo qual empena-se. ?.
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Foto: Helena Ignez
terça-feira, 8 de setembro de 2009
capaz de continuar
Pode ser que o meu desespero seja a paixão de um idiota, quase um ignorante se não fosse uma espécie de verdade que a tendência dita como algo que devo acolher com o calor dos que cultivam rumo ao frescor de meu equilíbrio corpóreo. Se for isso eu nem quase sei o que bem digo. Mas pode ser que no horror de apagarmos os rastros chamando o passo seguinte eu ainda acredite, seja por instinto migratório?, em algum algo acendendo-me capaz de continuar. Barganhando a minha permanência. A verdade é que não tenho muita paciência para dizer aquilo que não consigo lembrar. Aquilo que me faz um monstro deselegante quando espera-se harmonia contagiante. É que deve haver algo mais. Algum arrepio que nos faça encontrar um com o outro além das verdades que os olhos vêem. Além. Mas é tão estupido acreditar nessa espécie de afago - verdadeiro. Já que agora é uma coisa que morre antes que eu (realmente) seja. Mas será que realmente sei acontecer-me? Quando é que eu consigo aquele calor que somente (bem) depois será aquecido. ?. Somente depois será. É essa a questão dessa época? De qualquer época - afinal. Verdade humana - é isso? Mais que humana - digamos absurdamente precisa. Mais que qualquer desespero apontando-me, empenando-me paixão. Desespero ordenado como cotidiano com tamanha veracidade que então acredito-me historicamente humano. O horror quase não existe. E é esse quase tornando-me quase capaz de ser-me hábil e capaz de uma técnica que oculto-me agora fazendo-me acreditar no amanhã. Nessa possibilidade tão absurdamente viável.

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